(O Que Significa Ser Você)
- by Lee Sora -
25
Ela queria ver Winter, mas ele já havia se recolhido ao quarto. Nem era tão tarde. Ela se perguntou se ele estava cansado enquanto tomava banho e vestia seu pijama.
Ela estava prestes a se deitar quando Jen trouxe seu remédio.
Violet perguntou:
"Você já comeu?"
"Claro. E terminamos todos os lanches que você trouxe. Estavam deliciosos."
Disse Jen. Ela colocou os comprimidos do médico em uma colher, cobriu com mel e ofereceu a Violet. Violet engoliu tudo de uma vez e tomou água.
"Obrigada, Jen."
"Muito bem, então. Tenha uma boa noite!"
Disse Jen animadamente ao sair do quarto.
Violet hesitou por um momento antes de verificar a porta, vestir seu roupão e pegar a caixa com o relógio dentro antes de sair do quarto.
Ela verificou o quarto de Winter e descobriu que a luz ainda estava acesa, vazando pelas frestas da porta.
"Winter."
Disse Violet enquanto batia. Ela o ouviu dizendo para ela entrar. Violet parou na porta. Hayell estava no quarto, relatando algo a Winter.
Envergonhada por ser vista de pijama, ela se perguntou se deveria simplesmente ir embora quando Winter falou com Hayell.
"Bem? Por que você ainda não foi embora?"
"Eu estava prestes a ir, senhor."
disse Hayell, desaparecendo rapidamente pela porta. Violet caminhou até ele com um leve rubor. Winter veio ao seu encontro no meio do caminho.
Envergonhada demais para entregar o presente imediatamente, ela tentou falar sobre outra coisa.
"Ah, você disse que queria conversar, certo?"
"Sente-se."
Winter puxou uma cadeira para ela. Violet foi até lá. Winter sentou-se em frente a ela e recostou-se.
"Há uma bela mansão na capital que acho que você pode gostar. Hayell está no meio das negociações."
"Que tipo de mansão é essa?"
"Fica em uma colina. Tem um jardim que recebe muito sol e uma cerca branca."
"Meu Deus..."
"Se conseguirmos comprá-la, vamos ficar lá na próxima primavera. Você pode fazer o que quiser com o jardim. Cobri-lo de flores, se quiser."
Winter falou casualmente, como se dissesse que isso não era grande coisa. Ele olhou para ela e viu a alegria emanando de seus olhos. Winter sorriu.
"Nossa, nossa. Olha só quem está feliz."
"Obrigada."
Violet, encorajada pela notícia, continuou:
"Hum. Eu vi um relógio na rua mais cedo."
"Eu pensei que aristocratas não usassem relógios? Quer que eu compre um para você?"
"Não, eu já comprei."
"E?"
Winter parecia estar se perguntando por que ela lhe contaria se já havia comprado. Com medo de ser recusada novamente, ela mexeu na caixa antes de finalmente abri-la. Ela puxou a mão de Winter em sua direção. Ele era alto e tinha membros longos, e o movimento não pareceu incomodá-lo muito.
"Eu chutei o tamanho, espero que sirva..."
Violet murmurou, colocando o relógio no pulso dele. Para seu alívio, o relógio era do tamanho certo e ficou muito bem nele.
Ela lentamente tirou as mãos.
Ela olhou para Winter e encontrou uma expressão estranha em seu rosto. Ela começou a se preocupar que ele ficasse bravo novamente quando falasse.
"Eu sou o único que você conhece que usa relógios, não sou?"
"Sim."
"Foi por isso que você pensou em mim quando viu isso?"
"Achei que combinaria com você."
Winter ficou em silêncio novamente.
Ela estava se perguntando se tinha dito algo errado quando Winter murmurou:
"Eu tenho regras."
"Que regras?"
Winter se lembrou do dia em que conheceu Violet.
No dia do casamento, ele estava esperando a carruagem com Hayell.
"Senhor, sabe como os cavaleiros respondem a cumprimentos? Quando uma nobre estende a mão assim, você a segura com as duas mãos e lhe dá um beijo no ar."
"Eu sei disso. Mas por que está me dizendo isso?"
"Você também se tornou um lorde, depois do seu noivado."
"Sim, já faz um mês. E eu nunca vi uma única pessoa se dirigir a mim como 'Lorde Blooming', muito menos me oferecer esse tipo de cumprimento. Eles simplesmente me chamam de Sr. Winter. Você acha que uma princesa real vai cumprimentar um sujeito de olhos cinzentos que recebeu seu título de cavaleiro no mês passado?"
"Acho que você tem razão."
Ele tinha sido bastante sarcástico sobre isso. Até o momento em que a carruagem parou na frente dele, ele não pensou muito sobre esse título. Afinal, ele o comprou com dinheiro.
Mas quando a porta da carruagem se abriu, ele congelou. Uma mulher muito jovem, esplêndida e nobre saiu. Era o tipo de mulher que você não ousaria tocar, o tipo quase mítico que você compara a flores que desabrocham apenas nas nuvens.
E ela estendia a mão para ele e o olhava como se fosse a coisa mais natural do mundo.
Winter sentiu pela primeira vez o peso sufocante de sua compra e desejou poder fugir.
"Winter, de que regras você está falando?"
Violet o repreendeu, e Winter saiu de seu devaneio.
Ele ergueu os olhos do relógio.
"Sou eu quem ganha o dinheiro. Não precisa me dar nada em troca."
"Isso não é justo."
"Por que não? São as regras pelas quais vivo. E eu não espero por ninguém, e ninguém precisa esperar por mim também."
A regra mais importante era que ele não era uma pessoa que alguém pudesse abandonar.
Tinha sido assim desde os cinco anos. Sua mãe, que lhe dissera que voltaria logo, mas o deixara naquele restaurante, foi a última pessoa por quem ele esperou e a última pessoa a abandoná-lo.
A família que ele adquiriu aos doze anos nunca o fez esperar — nem esperou por ele.
Ele sempre acreditou que seu valor próprio só se justificava quando suas riquezas aumentavam e que seu sangue outlander o aprisionava atrás de uma muralha impenetrável.
Sua esposa, no entanto, havia destruído essas regras desde o primeiro dia em que se conheceram.
E a princesa, que nunca usara um relógio na vida, comprou um. Ela fez isso mesmo sabendo que a única pessoa em quem provavelmente pensaria ao vê-lo seria ele.
Violet falou.
"Ninguém no mundo é assim."
"Eu sou."
"Essas são regras bobas."
Disse Violet firmemente.
Winter resmungou.
"Você é uma princesa e me compra um relógio? É como se você fosse uma pessoa comum."
"Você gostou?"
"Sim. Pretendo usá-lo até meu leito de morte."
Violet finalmente relaxou e riu quando ele brincou.
Winter olhou para o sorriso dela antes de sorrir um pouco também.
Quanto mais perto ele ficava dela, mais se sentia um homem comum. Era quase como se ele devesse se tornar um marido comum também. Alguém que retornasse se ela esperasse, alguém que se lembrasse dela ao ver objetos relacionados a ela, alguém que não se sentisse sobrecarregado ou inferior por causa de seu status ou linhagem.
Um homem comum que não precisava provar seu valor com dinheiro.
Violet olhou para ele enquanto ele brincava com o relógio.
Ele parecia gostar muito.
Ela pensou no que ele havia dito, como ele era quem ganhava o dinheiro e não precisava que ele fosse devolvido, que ele nunca esperava por ninguém e ninguém esperava por ele.
Nada no mundo parecia assustar esse homem, mas quando ele disse aquelas palavras, ele parecia solitário.
Violet falou.
"Estou cansada."
"Para você, é esse tipo de hora."
Violet pensou por um momento antes de dizer em um tom bastante profissional:
"O dia em que compartilhamos a cama foi há dois dias, mas acho que hoje ainda deve estar tudo bem."
"Muito franco, não é, Princesa?"
Ela ignorou o sarcasmo dele.
"Claro, eu sei que você não gosta da ideia de ter um filho ou de dormir comigo, mas somos um casal casado, e-"
"Espere aí."
Winter franziu a testa.
"Eu concordo que disse algo assim sobre ter um bebê. Mas o que te faz pensar que eu não gosto de dormir com você?"
"Você reclamou disso da última vez, não é? Além disso, parece que você tenta evitar se puder."
Violet tentou manter a calma como de costume, mas a verdade é que aquilo a magoou. E isso transparecia em sua expressão.
Ela continuou:
"Eu entendo. Dada a situação... claro que você odiou."
Doeu dizer aquelas palavras. E a envergonhou mais do que ela esperava. Ela fechou as mãos, juntando-as cuidadosamente no colo, em um esforço para esconder sua tristeza.
"Que absurdo é esse?"
Violet foi quem foi rejeitada, mas agora Winter parecia descontente. Ela levantou a cabeça e viu que sua expressão combinava com sua voz.
"Admito que o maior dos meus desejos é o amor ao dinheiro, mas isso não significa que eu seja um eunuco. O que eu odeio são os modos certinhos da sua família. Eu nunca disse nada sobre odiar dormir com você."
"Não é a mesma coisa?"
"Você mal me deixa fazer alguma coisa durante o ato. E quando termina, as duas famílias vêm nos ver. O que nós somos, cavalos reprodutores?"
Os olhos de Violet se arregalaram com o comentário rude, mas ela não conseguiu repreendê-lo por medo de que ele a acusasse de agir como uma princesa novamente.
Winter suspirou alto, como se pedisse para ela entender.
"Por favor, não me interprete mal."
"Contanto que você não me faça entender mal."
"Se não fosse por aquela maldita convenção, eu provavelmente tentaria fazer amor com você até você me expulsar do seu quarto."
Violet cobriu a boca com as duas mãos e olhou para ele com uma expressão cautelosa.
"...O que exatamente eu deveria estar entendendo mal?"
"Eu estava com medo de que você pensasse que sou algum tipo de pervertido obcecado por sexo."
"Se era isso que você queria dizer, acho que sim."
"O que estou dizendo é que você está enganada sobre o que eu penso."
"Então você não odeia dormir comigo?"
"Claro que não."
"Podemos tentar conversar, mudar as coisas aos poucos, mas eu não posso mudar tudo de uma vez."
"Posso te beijar?"
"Sim. Como da última vez."
Winter parecia atormentado, mas resignado. Ele pegou Violet nos braços e foi em direção à cama. Depois de deitá-la, abaixou-se e afrouxou a fita do pescoço de sua camisola com os dentes. Violet disse solenemente:
"Ah, você pode fazer isso com as mãos."
"...Sabe, você é muito inteligente na maior parte do tempo, exceto quando está na cama. Você só está fingindo ser ignorante, não é?"
Winter fez uma careta. Ele não sabia se ria ou chorava. Violet inclinou a cabeça confusa, perguntando-se por que ele estava fazendo aquela cara.

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