(O Que Significa Ser Você) 

- by Lee Sora -

17


Um homem apareceu ao lado da janela com uma grande cesta redonda pendurada no pescoço.


"Lorde Blooming, quem o senhor gostaria de... meu Deus!"


O homem reconheceu Violet. Ele caiu sentado. Assustado e tremendo, perguntou a Winter:


"D-devo me ajoelhar, senhor?"


"Claro. Quem você pensa que é?"


Winter respondeu gravemente. O homem rapidamente se ajoelhou. Violet, pega de surpresa, agarrou o homem pelo braço e o puxou para cima.


"Não há necessidade disso! A Casa Real foi dissolvida há três anos, e mesmo que não tivesse sido... Meu marido está sendo travesso."


O homem se levantou, sentindo-se simultaneamente injustiçado por Winter e tocado por a princesa tê-lo ajudado a se levantar. Ele tirou o chapéu e reclamou com Winter.


"Você me deu um susto! Por que zombar de um pobre homem como eu?"


"A culpa da sua ingenuidade é só sua. Aposto no Dowser.”


Respondeu ele, tirando algumas notas da carteira. O homem trouxe à tona uma enorme prancheta que estava pendurada nas costas. Começou a escrever o nome de Winter e o valor da aposta ao lado do nome do lutador: "Crack Dowser".


Winter explicou isso para Violet, que estava olhando fixamente.


"Primeiramente, você deve saber que isso é legal. Minha aposta é que Dowser será o primeiro nesta luta a derramar sangue."


"Você só pode estar brincando. Está tirando sarro de mim também?"


"Que parte disso parece uma piada?"


Respondeu Winter.


Violet sentiu uma nova onda de choque ao perceber que era verdade. Parecia estranho que tais apostas existiam, muito menos que fossem legais.


O homem com a cesta de dinheiro pendurada no pescoço perguntou a Violet: 


"Em quem você vai apostar, princesa? Tenho certeza de que o lutador em quem você fizer sua primeira aposta considerará isso um símbolo de honra para a vida toda!"


"Aposto na próxima vez."


Violet tentou recusar, e Winter apontou para os lutadores.


"Você já apostou em corridas de cavalos antes, certo?"


"Sim. Eu fui algumas vezes com meu pai quando ele ainda era vivo."


"Pense nos jogadores como cavalos."


"Eles são pessoas."


"Mesmo assim, considere-os cavalos e escolha-os como se estivesse escolhendo um garanhão para cruzar com suas éguas."


"Winter, isso é extremamente rude da sua parte-"


Violet levou a mão à boca, mas já era tarde demais. Winter já tinha ouvido e estava sorrindo. O homem, que havia rido baixinho ao ouvir falar de garanhões, estremeceu quando Violet disse a palavra "rude". Winter falou. 


"Quase sinto pena de você. Isso foi fácil demais."


"Retire o que você acabou de dizer. Foi muito grosseiro. Retire o que disse."


"Claro, retiro o que disse. Só falei isso para você me chamar de rude."


Winter disse, acalmando-a. Ele apontou o queixo para o estádio, lembrando-a de apostar.


Esses atletas realmente a lembravam de cavalos de corrida. Sua pele tinha um brilho intenso e, apesar de seus tamanhos enormes, nenhum músculo em seus corpos parecia sem propósito.


Violet olhou ao redor cuidadosamente antes de apontar para um jogador em particular.


"Ele parece estar em ótima forma."


"Santor Tan. Uma escolha sólida."


O nome de Violet foi escrito no quadro.


Cerca de vinte minutos depois, alguém deu um soco e finalmente houve sangue. O árbitro interrompeu a luta.


"É o Santor!"


Alguém gritou.


A plateia começou a gritar seu nome. Os gritos continuaram enquanto Santor era retirado do estádio por dar um soco, o que era contra as regras


O sangue foi um choque para ela, mas agora que entendia melhor as regras, começou a se interessar. Observá-los tinha uma estranha atração, como comida apimentada. Talvez fosse porque ela havia vivido em um lugar escuro e silencioso nos últimos três anos, como uma espécie de toupeira, mas tudo que era novo e desconhecido era interessante.


Conforme a luta continuava, muitas pessoas vieram até o camarote deles e os cumprimentaram. Winter frequentemente caía na gargalhada enquanto falava com essas pessoas. Violet nunca o tinha visto rir de forma tão infantil em todos os três anos em que o conhecia.


Se ela tivesse morrido, ele seria muito mais livre e desinibido do que era agora.


Violet achou estranho que, embora tivesse sido a linhagem sanguínea de Winter que tornou as trocas de corpos possíveis, isso não o ajudou muito no final.


***


Quando eles voltaram para o hotel e se lavaram, eram nove da noite.


Winter saiu do hotel novamente para um mercado noturno que abriu nas proximidades e trouxe de volta uma sacola de seus donuts cruller favoritos. Os donuts quentes, recém-feitos, estavam cobertos de açúcar.


"Não me diga que ela também não vai comer isso. Ela percebe o quão exigente ela é?" 


Winter resmungou.


Ele tinha motivos para isso. Ele havia comprado peixe frito no estádio para o jantar, mas Violet não conseguiu comer muito. Talvez percebendo que Winter gostou do prato, ela fez o possível para comer o máximo que pôde, mas apesar de seus esforços, seu prato ficou praticamente intocado.


Como a comida que os aristocratas costumavam apreciar também não agradava Winter, ele entendia como Violet poderia se sentir.


Quando ele bateu na porta, Violet apareceu de camisola.


Ela parecia incrivelmente elegante mesmo sozinha assim. Winter a observou maravilhado.


Sua camisola era elegante e havia um jornal sobre a mesa com um pouco de chá, e uma cesta de madeira com biscoitos estava ao lado do chá. Ela devia estar com fome, como ele esperava.


"O que foi?"


Ela perguntou.


"Não é nada." 


Winter fechou a porta novamente.


Ele tinha ouvido Tulin tagarelar como sempre fazia sobre como a família Lawrence alimentava bebês em fase de desmame com caviar. Violet tinha sido exposta a todos os tipos de comida de qualidade durante toda a sua vida e, reconhecendo os esforços de Tulin, ela não se conteve nos elogios.


Graças a ela, Tulin estava mais satisfeito com seu trabalho atualmente do que jamais estivera.


Pensar que ele estava pensando em dar a ela alguns donuts que comprou na rua! Ele merecia ser chamado de idiota.


Ele estava se virando para sair quando a porta se abriu novamente e Violet agarrou seu braço.


"Eu fiz algo errado hoje?"


Violet parecia preocupada. Winter se virou para encará-la.


"O que você poderia ter feito de errado? Tenho certeza de que apenas minhas ações merecem críticas."


"Ah... me desculpe."


Ele não estava ali para se irritar com ela, mas Violet aparentemente havia entendido errado, pensando que ele se ressentia de sua desaprovação de alguns de seus comportamentos mais grosseiros hoje. Ela parecia envergonhada.


Winter viu isso e agarrou seu braço, puxando-a para dentro do quarto com ele. Ele estendeu a sacola.


"Comprei estes porque estava com fome, mas não consegui terminar todos."


"O que são?"


"Você nunca viu donuts assim?"


"Não. Nunca experimentei.”


Violet cheirou a sacola e deu uma pequena exclamação de deleite. 


"Que cheiro maravilhoso."


Ele se sentiu aliviado.


Os dois se sentaram à mesa. Violet tirou um donut doce coberto de açúcar. Quando o açúcar escorreu do donut para a mesa, ela parou, incerta.


"Oh, céus..."


"Está tudo bem, não se preocupe. É assim que eles devem ser comidos."


Tranquilizada, ela deu uma mordida tímida no donut. Vendo Winter dar uma mordida enorme, ela abriu a boca ainda mais e deu uma grande mordida também. Violet mastigou. Ela cobriu a boca e disse: 


"Céus, isso é delicioso!"


Ela soava completamente diferente de quando disse "Isso é bom" mais cedo enquanto comia o peixe, decepcionada, mas educada.


Violet devorou ​​o donut doce e macio. Winter notou o açúcar cobrindo seus lábios e sorriu. Violet piscou.


"Por que você está rindo?"


"É fofo."


"O que você quer dizer?"


"Só tem nós dois nesta sala. Você não acha que estou me chamando de fofo, acha?"


As palavras eram tão desconhecidas que Violet não conseguiu responder. Ela tinha sido uma criança precoce, madura, mas nunca fofa. E não houve muitas ocasiões em que ela recebeu elogios depois de certa idade.


Enquanto Violet se perguntava confusa o que ele achava fofo nela, Winter recostou-se na cadeira, apoiou a perna em outra cadeira e bebeu de uma xícara de rum.


"Se você gosta da empregada e do cozinheiro, pode levá-los para a Casa Blooming com você. Eu pagarei a eles um extra pelo trabalho."


"Não. Está tudo bem."


Ela balançou a cabeça.


Ela conheceu Lulu e Tulin na capital. Ela adorou como eles conversavam com ela, mesmo sobre as coisas mais triviais. Ela não queria que eles a vissem sendo ignorada e desprezada na mansão, ou envolvida em seus ocasionais surtos de loucura


Lembrar-se de como ela ficava nas festas de chá, observando as pessoas a repreenderem na sua cara, fez seu peito apertar. Ela olhou para Winter, querendo mudar de assunto.


"Certo, você ia ganhar um beijo. Devemos fazer isso agora?"


"Foi por isso que eu vim."


"Entendo."


Violet se levantou. Ela parou na frente dele, colocou as mãos em seus ombros e o beijou levemente, como costumava fazer.


"Está bom assim?"


"De jeito nenhum."


"Você disse que queria um beijo. Tem algum problema?"


Violet disse, inclinando a cabeça confusa. Winter se levantou. Ele empurrou o jornal da mesa e levantou Violet pela cintura, sentando-a sobre a mesa.


Ela olhou para ele.


"Não se deve sentar em mesas assim."


"Podemos, se estivermos nos beijando."


Winter se apoiou com um braço na mesa e abaixou a cabeça. Quando seus rostos estavam prestes a se tocar, Winter parou e olhou em seus olhos.


Por que ele não a beijava imediatamente?


Violet ficou tensa, e se inclinou um pouco para trás. Winter a agarrou pela cintura e a puxou para si.


Violet ficou abalada ao olhar para o rosto de Winter, que agora estava muito perto. Seus traços masculinos, pescoço e estrutura não pareciam ameaçadores, por mais estranho que parecesse. Em vez disso, ela se sentiu curiosa.


Que beijo ele queria? Assim que o pensamento lhe passou pela cabeça, seus lábios tocaram os dela.


Parecia que eles tinham métodos completamente diferentes, mesmo quando se tratava de beijar.


Quando seus lábios se tocaram, Violet ficou parada, esperando o toque leve de sempre. Ele a havia deixado tensa, sim, mas certamente acabaria logo.


Mas quando Winter moveu seus lábios para envolver os dela, mordeu seu lábio inferior e fez um movimento exploratório com a língua, alcançando o interior de sua boca... ela recuou bruscamente e tentou empurrá-lo.


"O-o que você está fazendo..."


A reclamação de Violet foi abafada quando os lábios de Winter cobriram os dela novamente, suas mãos fracas empurradas para o lado pelo aperto gigante da mão de Winter. Ele separou seus lábios e enfiou a língua dentro. Ela nunca havia sentido nada remotamente parecido com isso antes. Ela congelou.


Ela ficou tão surpresa que se esqueceu de resistir ou mesmo de responder. Seu cérebro parou de funcionar quando ela percebeu que ele havia assumido o controle de sua boca.


Winter envolveu a mão em volta do pescoço dela e o acariciou como se estivesse afagando um pequeno animal.


Ele pretendia continuar se pudesse, mas ao perceber que Violet estava com dificuldade para respirar, Winter a soltou com pesar.


tradução by CAMÉLIA

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